terça-feira, 6 de setembro de 2011

Finalmente em Doha - agora um relato pessoal...

5 de setembro
Finalmente em Doha – agora um relato pessoal

Depois de um realmente ótimo café da manhã (apesar de todos os queijos e pastas estarem muito salgados) resolvemos sair a pé, para conhecer a parte mais antiga da cidade, comprar uma pilha para o despertador e ir até o museu islâmico.

Para o nosso espanto total, não existe cidade antiga, histórica. O rei mandou derrubar tudo para dar lugar a novos prédios, e o que sobrou são alguns poucos prédios de dois andares antigos, além de um muro (que também estão derrubando). Eu fico pasma com isso. É contra a maré mundial de preservação histórica. Mas enfim, rei é rei...

Quando botamos o pé na rua levamos um choque. O calor insuportável, escaldante, que literalmente queima os miolos. Como apesar da seca há uma umidade em torno de 50%, o suor escorre por onde pode. Ficamos ensopados rapidamente. A cada passo que vc dá vc tem a impressão de que está sendo cozinhado vivo. Nunca senti tanto calor assim na minha vida. O único calor que chega próximo é o do Vale dos Reis, no Egito.
Enfim, fomos ao museu. É simplesmente belíssimo. Que construção! Que arquitetura! E, confesso, o melhor de tudo foi que há ar condicionado... A esta altura minha cabeça estava latejando, o peito arfando, pensei que ia ter um colapso. Precisei sentar por um tempo, para depois começar a apreciar as obras islâmicas, que realmente são muito bonitas.

Depois do museu, voltamos ao hotel, pq havíamos combinado com um taxista que nos levaria para passear por Doha, por uma hora e meia, por U$$ 45,00. Dito e feito! Bendito ar condicionado no carro. A primeira coisa que fizemos foi comprar água, pq aqui é preciso beber muita muita água. Doha é uma cidade relativamente nova, com prédios imponentes, construções bizarras, avenidas largas, algum verde, muitos ‘compounds’, de todos os níveis. Estão sendo construídos bairros inteiros em cima de terreno aterrado na baía. Construções vistosas, a área das embaixadas é lindíssima, muitos hotéis de primeira categoria, shoppings luxuosos, enfim, é um luxo só. Mas onde mora o povo? Onde acontece a vida? O dia a dia? Vimos poucas pessoas nas ruas, muitos carros luxuosos e gigantescos, mas gente do povo, a não ser no centro da cidade, necas... O taxista nos informou que as pessoas moram fora de Doha, o que confirmamos à tarde.

Chegamos ao hotel, e logo depois saímos com o nosso guia, rumo ao Safari no Deserto. Estradas amplas e muito bem construídas, asfalto fantástico (no Brasil só dá prá sonhar com isto), muitos compounds e agora, sim, construções de até dois andares, onde mora o povo. O nosso guia, de Sri Lanka, muito simpático, nos contou que no verão as pessoas mais simples moram em casas e apartamentos, e no inverno montam suas tendas no deserto, que fica mto próximo de Doha. Um espanto! Realmente posso dizer que hoje fiz um safari radical. Iswam, o nosso guia, é um fantástico motorista, e em momento nenhum senti medo. Mas gente, que dunas são essas? Foi um tal de subir e descer, andar pelas encostas, fazer cavalo de pau, descer por dunas inacreditáveis, o que eu achava inimaginável.








Paramos no Inland See, que é um braço do Golfo Pérsico e, de um lado fica a  Arábia Saudita e, do outro, o Qatar.
Pus os pés na água – super quente – mas não entramos no mar. Continuamos a aventura nas dunas até um ‘Camp’, onde Ronald então entrou na água e eu dei uma volta na praia. Infelizmente uma água viva acabou  fazendo uma queimadura no braço e na barriga do Ronald, o que foi tratado com vinagre. No começo doeu, mas felizmente depois passou.

Ao cair da noite, jantamos no próprio ‘Camp’. Eu, uma incorrigível sonhadora, achei que o jantar seria numa tenda, em cima de uma duna, com lampiões a iluminar, com um céu estrelado e um super jantar. Na realidade, jantamos ao pé de uma duna. Havia tendas sim, a nossa era de número 1 e até ar condicionado tinha. Mas o jantar foi do lado de fora, com muitas lâmpadas de neon e um gerador prá acabar com qq romantismo, rsrsrsrs. Os pratos eram de porcelana, mas os talheres de plástico e não havia guardanapos. A comida foi servida numa tenda caindo aos pedaços e não era lá essas coisas. Mas nada que desmerecesse um belo dia, muito intenso, com muita aventura pelo caminho.



Retornamos a Doha e ficamos no hotel. Afinal, amanhã sairemos super cedo em direção a Kathmandu e precisamos repor nossas energias e o nosso sono.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Doha/Qatar

Doha em árabe الدوحة, ad-Dawḥa ou ad-Doha, literalmente: "a árvore grande" é a maior cidade do Qatar. Localizado no Golfo Pérsico a cidade possuia 998.651 habitantes em 2008. É a maior cidade do Qatar concentrando cerca de 80% da população.
Doha também é a capital do país, que é governado por Sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani. Doha também é sede da Casa da Educação , uma área destinada a edu1cação, além de ter sido escolhida como uma das sede dos Copa do Mundo FIFA de 2022.
História
Em 1825, a cidade de Doha foi fundada sob o nome de Al-Bida. O nome "Doha" veio do árabe ad-dawha ", a árvore grande." A referência é a uma árvore de destaque que devem ter permanecido no local onde a vila de pescadores original surgiu, na costa oriental da península de Qatar. Ou poderia ter sido derivado de "dohat" - árabe para baía ou golfo - referindo-se à área da baía de Doha.
Em 1825, durante a guerra entre Qatar e Bahrain , Doha tinham sido severamente danificado e Abu Dhabi estava ajudando Bahrain. Em 1882, construiu a fortaleza Al Rayyan Al Wajbah, no sudoeste de Doha. No ano seguinte, Sheikh Qassim liderou um exército do Qatar para a vitória contra os otomanos . A cidade foi feita capital da British protetorado do Qatar em 1916. A nação se tornou independente em 1971. Ainda assim, no início do século 20, grande parte da economia do Qatar dependia da pesca e pérolas, e Doha tinha cerca de 350 barcos de pérolas. No entanto, após a introdução das pérolas cultivadas japoneses na década de 1930, toda a região, incluindo a cidade de Doha, sofreu uma grande depressão e Qatar foi mergulhado na pobreza. Isso durou até que no final de 1930, quando o óleo foi descoberto. No entanto, a exploração e exportação foi interrompida devido à segunda guerra mundial. Hoje, a nação como um todo produz mais de 800 mil barris de petróleo por dia. Em 1969 foi aberta a Casa do Governo. Hoje ela é considerada o marco mais importante do Qatar.
Edifícios na época eram casas simples de um ou dois quartos, construídas de pedra, lama e coral. No entanto, o emires do Qatar não demoraram a explorar a riqueza recém-descoberta, e áreas de favelas foram rapidamente derrubadas e substituídas por prédios modernos. Como com outros países na região, nesta corrida para a modernização tanto do patrimônio do país foi perdido, e em Doha agora há apenas uma torre eólica, único remanescente. Doha foi uma porta de alguma importância local. No entanto, aa águas rasas da baía impediam navios maiores de entrar no porto até a década de 1970, quando o seu porto de águas profundas foi concluída. Mais alterações seguiram com recuperação de terras extensas.
Em 1973 foi aberta a Universidade de Qatar e, em 1975, o Museu Nacional do Qatar que foi originalmente o palácio do governante . A Al Jazeera, canal de TV em árabe via satélite começou a transmitir a partir de Doha em 1996. Sheikh Hamad Bin Khalifa Al-Thani atualmente dita as regras no que alguns consideram ser a cidade mais bela do Catar.
Em 2010, Qatar tinha uma população de 1.696.563, tornando-o um dos países de mais rápido desenvolvimento do mundo.
O que nos impressionou é que vão derrubar toda a cidade antiga para dar lugar a construções moderníssimas até a Copa do Mundo.
Acordamos às 8.20, meio sonados. Hoje de manhã, faremos um tour com táxi pela cidade, compraremos água e visitaremos o museu. Hoje à tarde faremos o safari com jantar no deserto.
O calor é escaldante: 42 graus.

domingo, 4 de setembro de 2011

3 e 4 de setembro de 2011
Saímos de casa às 22.40, rumo ao aeroporto. Apesar de trânsito intenso, chegamos bem e, qual não foi nossa surpresa em encontrar um check in lotado de gente. Lotadaço! Uma fila imensa! A maioria orientais. Enquanto eu entrei na fila, Ronald foi verificar se não havia outra fila menor: dito e feito! Havia uma fila para quem fex check in online e, pelo visto, isto ainda não é hábito para a maioria das pessoas. Fizemos, então, o check in de forma relativamente rápida, Ronald ainda tomou um suco no Mac e depois passamos pelo controle de passaportes e fomos ao gate 27. Estavam embarcando as pessoas que iam para os Emirados Árabes, e rapidamente o saguão ficou vazio. Mas isto não demorou mto tempo. Rapidamente ele foi enchendo e as cadeiras ocupadas. Nosso avião chegou pontualmente, mas já comecei a achar que tinha algo de estranho no ar, pois a equipe de bordo chegou, mas não conseguiu embarcar. Fui verificar o que estava acontecendo e vi que o avião estava desconectado ao corredor de terra, e estavam checando freneticamente uma das turbinas. A equipe de bordo foi embora, e eu realmente fiquei preocupada. Era o que faltava, não conseguir embarcar... Estranhamente embarcamos às 2.40 da manhã, portanto horário... vai ver que a equipe de bordo embarcou por outro lugar.   Sentamos nos nossos lugares e pontualmente às 3.10 o avião começou a taxiar. Mas tudo foi muito devagar e, de repente, ele para próximo de um hangar e aí fica parado. O comandante avisa que temos um ‘light problem’ e que em dez minutos partiríamos. Os dez se transformaram em 20,30,40 minutos, e o comandante avisa que vai demorar mais 35 minutos. Os 35 se transformaram em uma hora, e aí ele informa que temos um problema de refrigeração, que vai demorar mais algum tempo. Bom, isto a gente já tinha percebido, pois, apesar de ser noite e não have um calor forte, dava prá perceber o ar condicionado desligado e a percepção de abafamento. Final da história: às 6.30, com o dia já claro, novamente foram ligados os motores, e aí entramos na fila dos aviões que estavam para decolar. Ou seja, ficamos praticamente 3h30 minutos sentados dentro do avião, sem ar condicionado, esperando para decolar.  O alívio, entretanto, foi grande, porque era praticamente impensável  este vôo ser cancelado. Toda nossa programação cairia por terra.  Serviram o ‘breakfast’ ainda em solo, às 5 da matina. Qdo decolamos, rapidamente caímos no sono, afinal não tínhamos dormido nada na noite anterior. O ambiente interno do avião foi mantido às escuras durante todo o tempo, e não podíamos abrir as janelas. Ficamos o dia inteiro na penumbra. Às 10.30 serviram um lanche. Passamos o tempo entre dorminhocar, ver filmes, dorminhocar de novo, escutar música, ir no banheiro. Por falar em banheiro, o que está acontecendo em Guarulhos??????????????? O banheiros simplesmente imundos. E, aliás, o banheiro do avião não estava muito melhor. Este povo não tem noções de higiene? É impressionante!!!!!!!!! Só quero ver o que vem pela frente... Assisti dois filmes, em alemão: Midnight in Paris – uma graça – filme de Woody Allen mto bem construído, e Ein Lied in mir (uma música em mim), também um filme bastante interessante sobre uma garota que foi adotada por um casal de alemães que moravam na Argentina na época da ditadura e que simplesmente ficaram com uma garotinha de três anos cujos pais foram seqüestrados e mortos durante este período.
Até que a bordo está sendo melhor do que imaginado. Como estamos na primeira fileira, temos mais espaço, e entre Ronald e mim há um lugar vazio, o que é ótimo. Conseguimos nos ‘espalhar’ mais, cada um com seu espaço sem atrapalhar o outro. E eu até estou conseguindo fazer alongamento a cada duas horas...
Com este atraso todo, vamos chegar em Doha um pouco antes das três da manhã. Ou seja, completaremos assim quase 28 horas em trânsito. Caramba! Sabia que seria uma viagem longa, mas não precisava ser tanto, rsrsrsrs. Não consigo nem imaginar como será o dia de amanhã, quando faremos um safári pelo deserto com jantar em tenda nas dunas. Se tivermos que levantar cedo, vai ser um sufoco. Mas nada como um dia atrás do outro. Amanhã é outro dia, e veremos como será...
Chegamos em Doha às 2h40 da manhã do dia 5/9. Simplesmente duas noites sem dormir. Mas tudo bem. A passagem pelo controle de passaporte foi rápida, a nossa guia é boliviana, e o hotel (Swiss Bell) parece muito bom. O quarto é imenso...as pessoas são muito simpáticas. Ficamos sabendo que Qatar tem um milhão e oitocentos mil habitantes, dos quais 27% nativos e todo o restante estrangeiros. É o país mais moderno dos países da Arábia - foi o que nos disseram, não sei se é verdade.

sábado, 3 de setembro de 2011

Uma viagem dos sonhos: Nepal, Butão e Tibet

Domingo de madrugada (3.10 da matina - isto é que é ser de ferro...) Ronald e eu iniciaremos uma viagem para o Nepal, Butão e Tibet. Serão somente 16 dias, mas acredito que serão dias muito intensos, e vivenciaremos experiências em uma parte do mundo para nós totalmente desconhecida, a Ásia. Tibet sempre foi um sonho meu acalentado por muitos e muitos anos. Na verdade, queria fazer um trekking no Himalaia. Mas para isto não tenho mais condições físicas e, por isso, permanecerá sempre um sonho inatingível.
Estou com sentimentos que se alternam entre curiosidade e ansiedade. Estou muito curiosa para conhecer o Butão, pois dizem que é o país onde vive a população mais feliz do mundo. Será?!? E o que é a FELICIDADE? Será que é igual para todos? Conto prá vcs depois qual foi a minha impressão. Será que veremos o Dalai Lhama no Tibet?!? Isto seria o máximo, mas provavelmente não acontecerá. Conheceremos alguns mosteiros, inclusive um que fica encrustado na montanha, chamado Tigernest. Será que vou conseguir subir esta montanha a pé? Tá certo que até aumentei meus exercícios aeróbicos para ter mais resistência, mas meu nervo ciático tá reclamão... já vai ser bom demais se não chover e eu conseguir ver o mosteiro a distância.
O período de monções está acabando agaora, pode ser que a gente ainda pegue chuva pelo caminho.
Também estou ansiosa, provavelmente em função do desconhecido, da longa viagem de 15 horas para chegar ao Qatar e depois mais quatro para chegar a Kathmandu. Espero que a gente tenha resistência suficiente prá aguentar um vôo tão longo.
Ronald fez check in online, e conseguimos um lugar na emergência e e outro na fileira 1, onde o espaço para as pernas é um pouco maior.
Estou levando minha câmera fotográfica, mas não estou levando computador. Chega de carregar tanto peso nas costas. Como Ronald está levando o seu laptop, quem sabe consigo escrever neste blog durante a viagem. Acho que vale a pena dar uma espiadinha, de vez em quando,rsrsrsrs.
Este será nosso roteiro de viagem:
05/09: DOHA - Safari no deserto.
06/09: DOHA/KATHMANDU
07/09: KATHMANDU
08/09: KATHMANDU/PARO
09/09: THIMPU
10/09: THIMPU/PUNAKHA
11/09: PUNHAKHA/PARO
12/09: PARO
13/09: PARO/KATHMANDU
14/09: KATHMANDU
15/09: KATHMANDU/LHASA
16/09: LHASA
17/09: LHASA
18/09: LHASA/KATHMANDU/DOHA
19/09: RETORNO A SÃO PAULO

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Participantes da Expedição à Argentina em junho de 2011

Ainda faltou a foto principal do grupo que fez a expedição!
                                      Ronald Althuon, Sávio Ramalho e José Magalhães

Expedição de motocicleta para a Argentina

Expedição para a Argentina, via Córdoba. Objetivo: Andes
Participantes: Ronald Althuon, José Magalhães, Sávio Ramalho
Período: 16 a 25 de junho de 2011
Autor do texto: Ronald Althuon

Primeiro

dia: 16 de junho

Às 6h30 minutos saimos pelo portão do condomínio onde mora Sávio e, após algumas fotos de despedida, nos dirigimos à Rodovia Regis Bittencourt. O tempo estava bom, e não havia muito trânsito nesta hora. Passamos pela serra, e abastecemos no Graal em Registro. A segunda parada foi no Bar do Doca, onde fizemos um lanche e abastecemos novamente as motos. Seguimos viagem, passamos por Curitiba. Paramos novamente em São Mateus(Paraná). Porto União, Concórdia foram as próximas cidades pelas quais passamos e, chegando no Rio Grande do Sul, ultrapassamos a faixa dupla. Neste momento encontramos um carro de polícia que avisou o posto policial e, quando chegamos nele, fomos parados para verificação de documentos. O policial não fez nenhum comentário em relação a uma possível multa mas, para nossa surpresa, recentemente recebi a autuação da infração. No final de tarde chegamos em Erechim, onde fomos buscar o pneu que eu havia comprado da Casa das Máquinas (revenda de motos KTM), de Porto Alegre. Um cliente da Casa das Máquinas gentilmente levou o pneu até Erechim. De Erechim seguimos até Ijuí. Boa parte do trajeto fizemos no escuro, pois a noite já havia caído. Chegamos em Ijuí por volta das 20h30. A estrada era ruim, e havia muito tráfego de caminhões. Nos hospedamos no Hotel Europa, jantamos no próprio hotel e fomos dormir.



Segundo dia: 17 de junho

No segundo dia, fomos os primeiros a tomar o café da manhã do hotel com o intuito de sair cedo. Acertamos nossas contas, abastecemos no posto em frente ao hotel e seguimos para São Borja, que fica na divisa com a Argentina. Antes de cruzar a fronteira procuramos uma casa de câmbio e nos provemos de pesos argentinos. Neste dia choveu forte. A chuva começou próximo de Santo Angelo, o que nos obrigou a parar e colocar proteção adequada. A chuva não deu trégua, e nos acompanhou pela passagem da fronteira e somente parou já próximos de Passo de Los Libres. Abastecemos, tiramos nossas roupas molhadas e continuamos viagem. Num posto policial os guardas queriam uma contribuição, mas nós a negamos. Fomos em direção a Santa Fé. A estrada era bastante erma e bem conservada. Havia somente vilarejos pequenos e nenhum posto de gasolina. A sinalização da moto que o combustível tinha chegado ao nível de reserva acendeu e ficamos cada vez mais preocupados, porque não havia posto em vista. Num cruzamento conversamos com um fazendeiro local que nos orientou em relação à localização de um posto mais próximo. Neste trajeto a minha moto começou a falhar, tanto que parei num sítio perguntando se tinham um pouco de combustível para ceder. O proprietário do sítio informou que cerca de 1500 m havia um posto e eu consegui levar minha moto, no limite, o motor quase que parando, até o local. Decidimos encher os nossos galões de reserva para prevenir panes futuras. De Maria Grande seguimos até Santa Fé, onde chegamos por volta das 19 horas, e decidimos procurar um hotel na rodovia em direção a Córdoba. Como estávamos com fome, paramos numa parilla na estrada e conversando com o dono do estabelecimento, nos indicou e confirmou três apartamentos numa cidade próxima (Franck), no Hotel Colonizador. Estávamos exaustos. Foi o tempo de tomar banho e cair na cama.




Terceiro dia: 18 de junho

A saída de Franck após abastecimento foi sob chuva. O tempo só melhorou chegando próximo a Córdoba. O trajeto foi de cerca 300 km, mas como a rodovia está em construção houve muitos desvios e trânsito pesado de caminhões. Em Córdoba procuramos uma 'gomeria' e fizemos a troca dos pneus de asfalto pelos de cravo. Chegamos em Carlos Paz à tarde. No posto onde abastecemos perguntamos ao frentista por um hotel e este nos recomendou o Portal del Lago, nas proximidades do lago. Nos dirigimos para lá e quando vimos as instalações, já desconfiamos que o preço deveria ser salgado. Conversamos com a recepção, soubemos que é um hotel ****, e o preço era de 445 pesos, o que equivale a 220 reais. Os colegas concordaram em ficar, já que tínhamos atrás de nós dois dias exaustivos e aproveitamos para descansar. Demos uma volta a pé e, como não conseguimos táxi para retornar, continuamos a pé até o restaurante recomendado pelo hotel. Comemos o já 'tradicional' bife de chorizo com salada de tomate e cebola e bebemos um bom vinho local (Norton Classic) . Voltamos de táxi para o hotel e nos recolhemos aos nossos quartos.




Quarto dia: 19 de junho

Após um excelente café no hotel Portal del Lago tomamos um susto quando vimos que um pneu da moto do Magalhães estava furado. Optamos em não consertar nós mesmos o pneu. Magalhães pegou um táxi, levou a roda junto porque partíamos do princípio que o taxista tinha mais condições de achar um borracheiro do que nós. Após uma hora e meia Magalhães chegou. Havia comprado luvas forradas, uma câmera de ar e um reparo instantâneo de pneu, o que se mostrou muito útil nos dias subsequentes. Após o remonte da roda retomamos a viagem. Iniciamos o percurso em estrada de terra. Numa elevação na saída da cidade paramos para tirar fotos. O trajeto até Taninga foi muito interessante e gostoso. Agora não tínhamos mais problemas com chuva. Em Taninga abastecemos e fizemos um lanche. Retomamos a viagem pelo asfalto. Daí passamos por uma divisa de estado, entramos no estado de Rioja, cruzamos o parque estadual de Talampaya. Após escurecer e com problemas de combustível resolvemos parar e pernoitar em Pagancillo, um vilarejo de algumas dezenas de almas. Jantamos num restaurante próximo e fomos dormir cedo. Estava muito frio. A temperatura estava em torno de 10 graus.







Quinto dia: 20 de junho

Após o 'desayuno' e acerto da diária nos informamos a respeito de um posto mais próximo para abastecimento. A informação era que tínhamos que ir até Vila Union, cerca de 40 km de onde estávamos. Como não havia outra alternativa nos dirigimos para lá, mas antes compramos toda a reserva que se resumia a quatro litros de gasolina de uma pessoa que comercializa combustível em sua residência (em vilarejos isto é usual pelo fato de não haver posto). O combustível é vendido em pets de dois litros. Fomos até a cidade indicada, fizemos o abastecimento e pegamos uma rota alternativa dando continuidade ao nosso roteiro original. Em Tinogasta pegamos a Ruta Nacional 03, estrada esta abandonada há alguns anos, e que atualmente só é transitada por veículos 4X4 ou motos. Já estava escuro quando chegamos a Belen. Mesmo assim, continuamos e, no trajeto, tivemos mais uma pane de pneu, desta vez da minha moto. O local era um breu total. Como tínhamos lanternas, iniciamos a desmontagem do conserto do pneu. Enquanto estávamos preparando a moto para tirar o pneu, parou um veículo da polícia rodoviária, que se ofereceu para carregar a moto até a próxima cidade. Para o espanto de Sávio, recusei a gentil ajuda da polícia,optando em terminar o conserto no local, pois até carregar a moto, levar à cidade, procurar borracheiro, etc, levaríamos o mesmo tanto de tempo. Pneu consertado, continuamos viagem até Santa Maria, onde pernoitamos no Aparthotel El Algarrobo. O hotel dispunha de um restaurante razoável, e resolvemos jantar lá mesmo. Comemos o tradicional bife à milanesa com salada de tomate e cebola.






Sexto dia: 21 de junho

Após nos recuperarmos das dificuldades do dia anterior e tomarmos nosso 'desayuno' partimos para Cafajate com intuito de procurarmos uma casa de câmbio para nos abastecer de pesos pois ainda tínhamos quatro dias pela frente e nas cidades pequenas não há como trocar dinheiro. Além disso, não aceitam cartão de crédito. Operam somente com 'efectivo'. Após passarmos por belas vinícolas, algumas delas bem conhecidas chegamos a Cafajate, onde fomos diretamente a um banco. Câmbio, entretanto, só se for dólar ou euro, e nós não tínhamos nem uma nem outra. O jeito foi sacar pesos no cartão de crédito. Abastecidos tanto de gasolina quanto de dinheiro, prosseguimos por uma bela paisagem de montanhas de arenito. Continuamos a viagem até El Carril para então pegar um trecho muito lindo, que é a Cuesta del Obisco. Chegamos à altitude de quase 4000 metros. A Cuesta é uma serra. Depois, chegamos ao Parque Nacional Los Cardones (cactos gigantes). No finalzinho de tarde chegamos a Cashi. Cashi é um pueblo simpático com uma excelente infra estrutura hoteleira, situada a 2300 m de altitude, ponto de partida para vários locais aprazíveis, que dá para visitar a pé, com bicicleta, etc. Pernoitamos no hotel ACA (Automovel Club Argentina) que dispõe de um belo restaurante, onde degustamos o melhor bife de chorizo da viagem. Logicamente acompanhado de uma salada de tomate com cebolla. A temperatura estava por volta de 10 graus. O jantar estava naturalmente acompanhado de um bom vinho da região de Cafajate (Etchart).











Sétimo dia: 22 de junho

Revigorados, tomamos o café da manhã. Sávio e Magalhães compraram 'regalos' para suas esposas, vendidos pela funcionária do hotel e, na hora de acomodar as malas nas motos, uma das malas do Sávio simplesmente não fechava. Voltamos ao meu quarto que era o mais próximo e desmontamos todo o mecanismo até consertar a mala, o que nos fez perder aproximadamente uma hora. Retomamos a rotina, ou seja, abastecer pela manhã, colocamos as motos na estrada. Neste dia atingiríamos a nossa maior altitude, o passo Abra Del Acay, com 4900m. Andamos cerca de 50 km, e furou o pneu da moto do Magalhães. Consertamos o mesmo relativamente rápido, afinal já tínhamos experiência, mas foi-se mais uma hora. Um curioso local parou e nos deu um pedacinho de bolo, o que foi benvindo. Nos desejou 'suerte', o que mais tarde realmente precisaríamos. Conforme íamos subindo, o ar ficava rarefeito com temperatura em queda, e surgiram as primeiras placas de gelo na estrada. Próximo a um rancho de um pastor de ovelhas tiramos algumas fotos da moça com a filha, e pudemos constatar o modus vivendi, a vida dura na altitude. Sávio e Magalhães ficaram impressionados com a crescente quantidade de gelo que íamos encontrando no percurso. A coisa pegou mesmo quando chegamos a um trecho já a 4600m de altitude, temperatura -3 graus, não dava prá passar sentado na moto pelo gelo. Sávio e Magalhães optaram por passar por um trecho de terra, porém o terreno é muito macio e cheio de pedras, o que fez com que tivéssemos que empurrar a moto para poder passar nos locais mais difíceis. Eu consegui passar fazendo meu próprio trajeto. Savio deixou o farol da moto do Magalhães ligado, o que fez com que a bateria descarregasse, e isto trouxe problemas adicionais. Final da história: conseguimos sair meia hora antes de escurecer, em cima do laço, e não quero nem imaginar o que poderia acontecer se tivesse escurecido. Sem dúvida viraríamos picolé, pois não estávamos preparados para passar uma noite ao relento... Para cumprir o cronograma e roteiro, ainda andamos cerca de 150 km à noite, sob breu total, e numa estrada com muitas curvas, até a periferia de Salta, onde achamos uma bela pousada turismo rural El Prado, e pernoitamos. Exaustos por um lado, mas aliviados por termos saído do sufoco. Jantamos na própria pousada.
















Oitavo dia: 23 de junho

De Salta iniciamos nosso retorno. Deixamos os Andes, e seguimos rumo à planície. Antes de pegar a reta do Chaco passamos por uma bela região de uma represa chamada Cabra Coral. Fizemos um trecho por entre altas montanhas de arenito, que fazem parte dos pré-Andes. Quando terminou a estrada de terra e iniciamos a rota 16, que é a que passa por três Estados resolvemos parar para nosso primeiro almoço em restaurante nos dez dias de expedição, no vilarejo de El Galpón. Seguimos até Presidente Roque Saens Peña, onde chegamos por volta das 19 horas. Pernoitamos nesta cidade, num hotel meio fuleiro, o Hotel Orel, jantamos num restaurante indicado pelo hotel que não era lá aquelas coisas, pois o bife de chorizo estava simplesmente horrível. A única coisa que se salvou foi a salada de tomate com cebola e o vinho.



Nono dia: 24 de junho

De Presidente Roque Saens Peña seguimos para Resistência e depois Corrientes, e fomos até San Inácio. Não há o que relatar deste dia. O trajeto é quase que em linha reta, o Chaco não é aprazível. Parte do trajeto fizemos sob chuva, o que não contribuiu para melhorar o humor. Chegamos em San Inácio à noite, procuramos um hotel, o Portal del Sol, jantamos no própriohotel, até que razoável, e fomos dormir.

Décimo dia: 25 de junho
Dia do retorno de Santo
Inácio/Argentina para São
Paulo/Brasil

Saímos de San Inácio com uma garoa constante. Fomos até Bernardo de Irigoyen, que é a última cidade na Argentina e que faz divisa com o Brasil, com um vilarejo chamado Barracão. O procedimento de passagem foi muito rápido, o que me fez decidir que em futuras viagens usarei esta rota porque o trajeto do lado brasileiro é agradável e bom. Passa-se por Pato Branco/SC, Cascavel/PR e Guarapuava/PR até Curitiba. É uma excelente opção. Chegamos em Curitiba por volta de 20h30min. Magalhães e eu decidimos voltar para SP na mesma noite, e Sávio resolveu ficar em Curitiba, pois a sua viseira de capacete é colorida e dificulta a visibilidade noturna. Em Registro ligamos para nossas esposas, que ficaram estupefatas com o fato de voltarmos a SP ainda nesta noite. Continuamos viagem e chegamos em SP às 1.20min da madruga. Sem dúvida nenhuma exaustos, afinal tínhamos rodado 1260 km num só dia, mas satisfeitos por termos feito esta expedição no tempo e roteiro programado, sem problemas insolúveis, sem quedas maiores ou outras dificuldades.