terça-feira, 13 de setembro de 2011

Do 'zen' para o 'caos'...

13 de setembro
Do ‘zen’ para o ‘caos’...
Abaixo de chuva saímos de Thimpu, descendo montanhas abaixo, até Paro. Thimpu fica a 2400 m de altitude e Paro a 1500. Chegamos super cedo ao aeroporto – ainda estava fechado. Tivemos que esperar meia hora para poder fazer o check in. Fomos os primeiros, o que foi uma sorte, porque pegamos os primeiros lugares, na emergência.


                                                         Este  não foi o nosso avião


O avião é super pequeno, dá até um certo temor atravessar com ele o Himalaia. Mas o comandante é muito bom, e nos levou em segurança, por entre as montanhas, até a caótica Kathmandu.

Depois do espírito zen de Bhutan encarar a quente, úmida, caótica, fedida e barulhenta Kathmandu não é fácil. Fomos dar uma volta, andamos uns 3 km, a chuva foi ficando cada vez mais forte, e decidimos retornar ao hotel, porque com sol já é difícil, mas com chuva vira um lamaçal, parece que as buzinas até aumentam, isto realmente não é prazeroso nem necessário.
Amanhã ficaremos o dia inteiro em Kathmandu mas, para não ficar na cidade, decidimos comprar um pacote para sair para as redondezas da cidade. Não podemos continuar para o Tibet amanhã porque o visto demora pelo menos um dia para sair, e para fazer o visto precisam dos nossos passaportes. Portanto, Kathmandu é um mal necessário para quem quer visitar o Tibet.
Se tudo der certo, embarcaremos para Lhasa na quinta-feira de manhã. O vôo é curto, somente de uma hora, mas mais uma vez teremos fuso horário.



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Kadinche la


Kadinche la (Obrigada) por ter acessado o meu blog. Nos veremos em Kathmandu. Tashi Delek ( Até breve).

Thimpu, Bhutan

12 de setembro
Thimpu

Hoje fizemos uma série de visitas bastante interessantes. Primeiro fomos a um lugar protegido, nas montanhas, onde ficam os animais silvestres típicos do Bhutan. É um lugar muito amplo, com muitas árvores pinus, e os animais tem muito espaço para circular. Infelizmente somente vimos um animal, o Tikan.

Todos os outros animais não queriam saber da gente, e eu acho que o guia nos quis poupar de subir dezenas de degraus íngremes para circundar o lugar. Também pode ser que o guia não estivesse se sentindo suficientemente bem porque agora, além do desarranjo intestinal, ainda está com um forte resfriado – coitado!
Seguimos para uma escola que ensina pintura, bordado, entalhe de madeira e esculturas de barro. Fiquei impressionada com o fato de cada curso durar entre 4 e seis anos. Entramos em todas as salas, e nos surpreendeu a concentração dos alunos. Eles praticamente não olham para vc. Achei estranho que também não retribuem o cumprimento. Aliás, isto é frequente. Eu até acho os bhutaneses um pouco carrancudos. Pensei que fossem super sorridentes, mas qual nada!




Depois, fomos visitar um museu típico, ou seja, uma casa de três andares, antiga, preparada como um museu de tradições e costumes. A casa toda está subdividida e decorada tal qual era feito a séculos atrás. Muito bem feito. Foi muito interessante ver o modus vivendi deles em épocas passadas.

Ainda fomos visitar a biblioteca nacional. O que mais vimos? Claro que livros, só que em dzongkang (acho que é assim que se escreve). Livros e mais livros. No segundo e no terceiro andar há antigos manuscritos, cada qual enrolado em pano e guardado em prateleiras atrás de vidros, ou seja, sem acesso. Para entrar na biblioteca, tivemos que tirar as sandálias e ficar pé descalço. Já viram como ficaram as nossas solas dos pés, rsrsrs.

Encerramos a manhã com uma visita ao turism office Etho Metho. Fomos muito bem recebidos (e a companhia que preparou nossa viagem ao Butão), e recebemos de presente um pequeno livro com belíssimas pinturas de paisagens do Bhutan. Realmente muito lindo.
À tarde fizemos novas e interessantes visitas. Primeiro fomos a uma fábrica de papel. O papel tem como base uma planta, mas não tem nada a ver com o papyrus. O processo de produção de papel é muito similar ao praticado no Egito, e tanto lá como cá, bastante primitivo. O papel, entretanto, é de boa qualidade.

Em seguida fomos a uma fábrica de tecidos. Várias tecelãs trabalham lá. É impressionante como o seu trabalho é árduo. Fazem tecidos lindos, com padrões de desenho maravilhosos.
A terceira visita da tarde foi a uma stuppa, em homenagem à grandmother. Fiquei muito impressionada. Onde ficam os cilindros de oração, havia muitos idosos, principalmente mulheres. Os homens aqui vivem até aproximadamente 60 e as mulheres até os 70 anos. Continuamente ficam rodando os cilindros e murmurando baixinho. Ao redor da stuppa, um, grande número de pessoas andava em torno da mesma, com pequenos cilindros de oração na mão, ou então com colares de contas. Murmuravam baixinho. Nós entramos no círculo, pq era o único jeito de circundar a stuppa. O que me impressionou foi que entramos no ritmo daquelas pessoas, e acabamos circundando a stuppa três vezes. Num dos lados da stuppa é queimado incenso em grande quantidade, que deixa um cheiro intenso no ar. Não sei se o incenso nos inebriou, fato é que andamos três vezes (que é o mínimo obrigatório) em volta da stuppa, e uma estranha tranquilidade tomou conta, pelo menos de mim. Foi uma experiência forte.

Nossa última visita foi ao imenso monumento de Buda que está sendo construído fora da cidade, numa colina. Embaixo da estátua está sendo construído um templo. Todas as dimensões são imensas. Provavelmente será um novo ponto de peregrinação, assim como atrairá mais turistas.
Por falar em espiritualidade: a absoluta maioria dos bhutans é budista. Tem uma fé inabalável e profunda. Toda a sua vida gira em torno da religião. Fazem suas oferendas e praticam sua fé, diariamente.  Acreditam em demônios, e cultuam serpentes, por se tratar de um animal anterior aos humanos. Quando constroem uma casa, primeiro constroem uma pequenininha, com a imagem ou escultura de uma serpente, para pedir proteção e bem aventurança na nova casa. São muito místicos. Acreditam nas forças da natureza como algo superior e quase divino.
Assim, termina nosso período no Bhutan. Amanhã retornaremos a Paro e lá embarcaremos rumo à Kathmandu, para a nossa quarta etapa de viagem, desta vez ao Tibet.

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de setembro
Entre Punakha e Thimphu
Após um realmente frugal café da manhã saímod de Punakha e fomos a Wandgue, para mais uma visita a um dzong (administração + monastério). Desta vez, visitamos um monastério quase que caindo aos pedaços. Foi o dzong mais mal conservado que vimos até então. Há um grande programa de restauro, financiado pelos indianos, e que será concluído até 2013.


Não nos demoramos muito, e seguimos para a estrada, em direção a Thimpu. Quando chegamos no ponto mais alto, começou a garoar, e não dava para ver absolutamente nada. Na cafeteria que fica no ponto mais alto do passo, tomamos um chá de jasmin e eu ainda tomei uma sopa. Na realidade, poderia ter dispensado ela, pois não tinha gosto de absolutamente nada. Por falar em cozinha bhutanesa, ela é bastante condimentada. Em princípio, um sabor agradável. A base é arroz e verduras. Os bhutaneses são praticamente todos de estatura baixa e magros. Dificilmente vê-se um gordo por aqui. Não sei porque Buda era tão gordo... Hoje entrei na cozinha do hotel 1* que ficamos, e quase caí prá trás. Suja, escura, com cheiro azedo, grrrrr... ainda bem que jantamos ontem sem olhar a cozinha, do contrário não teria descido nada. Fazer refeições aqui em Bhutan é algo difícil. Existem restaurantes, mas a gente não tem coragem de entrar. Normalmente são uns muquifinhos sujos, sem ventilação e com cheiro meio azedo. Dispensamos o almoço todos os dias e jantamos no próprio hotel. Achamos isto a melhor solução para não correr riscos gastrointestinais. Nosso guia hoje estava com desarranjo gastro. Sabe-se lá o que comeu...
Por falar em cheiros, os cheiros aqui variam entre cheiros de insenso e cheiros azedos de toda a espécie. Às vezes o cheiro azedo se sobrepõe, aí é horrível. Mas normalmente o cheiro de insenso prevalece, mas nem sempre é agradável. Mas isto é uma questão de costume.
Quanto às roupas do bhutaneses, os homens na sua maioria vestem o gho. Já em relação às mulheres vê-se muitas roupas ocidentais, o que é uma pena, porque não combina direito com o ambiente. Tanto homens quanto mulheres tem o hábito esquisito de ficar cuspindo à torta e à direita. Cospem um negócio meio vermelho. No primeiro dia, achei que as pessoas tinham muita gengivite, pois muitas pessoas tem a boca, a gengiva e os dentes de um vermelho vivo. Depois descobri que este vermelho provém desta pasta que mastigam e cospem.
Seguimos viagem até Thimpu, com saídas de sol e alguns episódios de chuvas passageiras. No percurso, paramos, o carro seguiu em frente, e nós fizemos um bom trecho montanha abaixo a pé. Não entendemos nada!!! Porque o guia nos fazia andar na beira de uma estradinha, com um razoável movimento, se poderíamos ir de carro? A desculpa que ele deu foi que poderíamos tirar fotos de um buda gigante na encosta de um morro, mas eu desconfio que a razão real foi a de que o guia precisava sumir atrás de uma moitinha...


Thimpu tem uma avenida principal que, à primeira vista, parece aprazível. Depois, quando Ronald e eu fizemos toda a avenida principal a pé, descobrimos que, na realidade, até que é bem sujinha, com incontáveis vendinhas ao longo dela que vende de tudo Parece uma grande 25 de março (SP). Fomos por ruelas laterais para outras ruas, e aí a coisa fica difícil: muitas moradias, muitas vendinhas, carros se apertando pelas vielas, gente à beça circulando, parece um grande cortiço, mas com charme, pois não tem uma casa, um apartamento que não tenha pinturas delicadas nas suas fachadas.


Fomos até o dzong da cidade. Este realmente é majestoso, bonito, muito bem cuidado. Para chegar lá, anda-se por uma rua muito bem cuidada, com flores e chorões em ambos os lados, muito bonito mesmo.



O rei tem a sua sede de trabalho neste dzong, e o seu palácio fica do lado. Quando descemos da van, estava chovendo. Peguei meu guarda chuva, mas o guia informou que, para ir a este dzong, não pode usar nem guarda chuva nem chapéu, e não pode parar. Também não pode fotografar o palácio, nem a entrada principal por onde o rei entra. Desta vez não consegui me conter – não consegui fazer cara de paisagem – e o guia percebeu que eu acho esta lei um absurdo total. Mas o que fazer, não é? Rei é rei... Estava chovendo, portanto andamos na chuva, sem proteção, até entrar pelo portão lateral, que é para os turistas. Fomos controlados, e entramos para o pátio interno. Não foi possível visitar a ala administrativa, por questões de segurança. Visitamos o templo. Este é o mais rico e mais carregado de pinturas e estátuas que já vi. Mais uma vez, não pudemos fotografar, o que é uma lástima. Como sempre, deixar os sapatos do lado de fora. Para calçar o sapato na saída, sentei num banco, e o guia nervosamente me falou que não podia sentar neste banco, que é destinado aos monges... eu, hein!!!
A nossa última programação turística foi ir ao mercado central. Hoje é domingo, e tem feira. Acho que os mercados são quase todos iguais. Vendem-se frutas, verduras e peixe.


Presenciamos a briga entre duas mulheres. Pois é, dizem que Bhutan é o país com as pessoas mais felizes do mundo, mas eu ouso questionar esta pesquisa. Não acho que os bhutaneses sejam diferentes de outros países do mundo. Choram, riem, ficam bravos, ficam alegres, ficam tristes. Aliás, eu acho que muitos tem um semblante bem triste... E em Thimpu é possível perceber a grande pobreza do país. As pessoas aqui lutam muito e se contentam com pouco, é a única forma de sobrevivência. Agora, o governo tem tudo do bom e do melhor, como em outras partes do mundo também.
Encerramos o dia com uma sauna, piscina aquecida e jantar no hotel (Taj Tashi). Ruim, não é?!?, rsrsrsrs



sábado, 10 de setembro de 2011

10 de setembro
De Paro a Phunakha – travessia pelo Himalaia
Saímos antes das 9 da manhã. O tempo prometia permanecer coberto, com aberturas de sol. Rapidamente pegamos a estrada que leva a Thimphu, a única highway do país. Paisagem deslumbrante, muitas curvas, razoável tráfego.

Próximo de Thimphu, pegamos outra estrada, a que nos levaria a Phunakha. Lentamente fomos subindo as montanhas, andamos praticamente o tempo todo por um desfiladeiro, de vez em quando abria-se para um estreito vale, até chegar ao ponto mais alto deste nosso trajeto, a 3400 m de altitude. Descemos e visitamos uma stuppa composta por muitas stuppas em homenagem à rainha-mãe. Depois, fomos a uma cafeteria onde tomamos chá de jasmim. Infelizmente o tempo encobriu, não deu prá ver as altas montanhas do Himalaia. Mesmo assim, a paisagem é deslumbrante. Estranhamente há muita vegetação, mesmo a esta altitude. Muitas árvores pinus e outros arbustos. Um verde exuberante. Iniciamos a descida para Phunakha. Antes de chegarmos a este vilarejo, o guia pediu ao motorista para parar o carro e descemos para o almoço. Na realidade não queríamos almoçar, mas o guia insistiu tanto que decidimos comer uns rolinhos de verdura. Além desses, ainda nos trouxeram uma outra coisa que não deu prá identificar. Ambos excessivamente gordurosos, mas saborosos. Prá não fazer feio, comemos tudo.
Depois disso, o guia nos convidou para passar, a pé, por vários vilarejos e arrozais para subir um morro e visitar o templo da fertilidade. É um templo muito visitado por jovens casais com ou sem filhos. Vem a este templo pedir por fertilidade e um bom casamento. No Bhutan é super importante ter filhos, uma vez que são estes que sustentarão os pais quando velhos. Não há previdência social. A herança passa para a filha. O filho não recebe nada. Os pais de um filho escolhem a noiva, e o dote tem um papel importante nestas escolhas. Todos vivem juntos – pais, avós, às vezes tios, filhos. Por isto, as casas são quase todas grandes.
Andamos pelos vilarejos, e foi muito interessante o quão primitivamente as pessoas moram. A pobreza é grande, e muitas casas estão caindo aos pedaços porque não há dinheiro para cuidar da manutenção. As pessoas vivem e se alimentam de arroz. Quase não comem carne, comem verduras e temperam a comida com curry. Andamos por um arrozal, e tivemos que tomar cuidado para não cair na água, pois somente há uma pequena trilha, e de ambos os lados há  canais de água para abastecer os arrozais. Existe arroz vermelho e arroz branco.


Subimos um morro até o templo. Ao redor do templo haviam muitas pessoas, mas ninguém falava. É que estas pessoas estavam em jejum completo e sem falar o dia inteiro. Os budistas do Bhutan escolhem um dia no ano para um jejum completo e ficar sem falar um dia inteiro. O silêncio era total. Dentro do templo havia um grupo de meninos decorando as escrituras sagradas, em conjunto. Parece um mantra.  Para entrar no templo, precisamos tirar os sapatos. O templo é muito colorido, e há uma estátua do buda no centro dela. Não é muito limpo. O nosso guia é muito fervoroso, ajoelhou-se várias vezes, rezou na frente do buda, doou dinheiro. Nós só ficamos observando.  Em seguida, retornamos ao vilarejo que fica ao lado da estrada. Foi um caminho longo. Seguimos para Phutakha. Passamos pela pequena cidade e seguimos mais uns 5 quilômetros até chegar a um dzong magnífico. Realmente muito bonito. Descemos próximo da entrada do dzong e, depois de muitas fotos, entramos. A escada era extremamente íngreme.


 Aliás, o que eu estou subindo e descendo escadas não está escrito... A parte interior do dzong é bem parecido com o que vimos antes, só que maior e talvez mais ricamente decorado. Várias pessoas estão fazendo restauração das pinturas do dzong. Atravessamos o dzong até depararmos com um templo ricamente decorado. Novamente tiramos os sapatos e entramos. Fiquei extasiada. Dentro do templo havia três estátuas imensas, folhadas a ouro (as pilastras também são todas folhadas a ouro) dos três budas. Há uma trindade de budas que a gente encontra em tudo que é lugar. Tem o buda principal, e é a maior estátua, tem um buda com um bigode todo retorcido à esquerda e tem um buda com uma longa barba à direita.  Os budas são simplesmente impressionantes, e o templo todo é fantástico. Nunca vi coisa igual. As pinturas magníficas, o trabalho nas pilastras folhadas a ouro espectacular, e os próprios budas são realmente imponentes. Infelizmente é proibido tirar foto em qualquer interior de templo.
Já era final de tarde. Mesmo assim fomos até uma ponte pencil de mais de 200m e a atravessamos a pé. Tivemos que andar um bocado até chegar a ela, mas valeu a pena. Um belo final de tarde. Curiosamente não senti medo, apesar do balanço e da altura.

Seguimos então para o nosso hotel. É um hotel simples, mas com uma vista muito linda. Somos os únicos hóspedes.
Não há wifi no quarto, por isso teremos que ficar na sala de estar para poder postar este post e ler nossos e-mails.
Este foi um belo dia. Sem dúvida nenhuma cansativo, pois andamos

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

9 de setembro
Paro
Contrário às previsões de chuvas fortes durante todo o dia, tivemos hoje uma manhã encoberta com várias aberturas de sol. No caminho vimos, de longe, o monastério Tiger Nest, e soubemos que não é possível subir até ele. Somente os monges tem acesso. Achei uma pena, mas fazer o que...

 Primeiro visitamos um forte (dzong) em ruínas, que fica um pouco fora da cidade. O caminho até lá foi bucólico, pois as estradas são super estreitas, rodeadas por chorões ou pinus, interlacadas por casas típicas da região.




 Antes de chegar ao forte descemos da van e caminhamos um bom trecho. Contornamos o forte todo, e depois subimos até o topo. Bela vista para todos os lados. Vimos o início do trecho de trekking pelo Himalaia que as pessoas costumam fazer.



Depois, seguimos para um templo super famoso. Quando chegamos lá, vimos carrões super modernos e uma Mercedes . Soubemos, então, que a rainha-avó estava no interior do templo e que, portanto, não poderíamos visita-lo por dentro. Somente a parte de fora era permitida para visitação. Havia muitos policiais no entorno. O rei é bastante jovem, tem 31 anos. Tem um castelo em cada distrito. A rainha-avó vem a cada três semanas para este templo, que é muito antigo e famoso.

Seguimos, então, para a cidade, onde paramos num restaurante para que o nosso guia e motorista pudessem almoçar. Nós nos contentamos com um chá. É que durante a viagem decidimos ficar sem almoço, pois os cafés da manhã e jantares são sempre tão substanciais que é desnecessário almoçar.
Depois do almoço, seguimos para o Museu Nacional, que fica num antigo forte. A partir daí começou a chover fraco.

Visitamos o museu todo, e depois seguimos para o dzong oficial, onde há vários departamentos de estado. Para entrar, tive que colocar meu casaco, pois não é permitido  entrar com T-shirt. O Ronald estava com camisa com colarinho, aí não houve problema. Apesar de entrar no forte, não é permitido entrar nas salas. Ficamos somente no pátio interno. O pátio interno é bastante imponente.




Como última atividade do dia, fomos as um liquor store comprar um rum local, que por sinal é excelente, e compramos um mapa e um CD com música típica bhutanesa. Dali, fomos direto para o hotel.
As atividades de final de dia são típicas de um turista em férias: sauna, piscina aquecida, jantar, dormir.
Realmente Paro nos deixa uma ótima impressão: as pessoas são gentis, o lugar é lindo, a arquitetura muito bonita, ar puro, alimentação saudável, o que é pode-se querer mais?

Butão - um pouco de história...

Butão –um pouco de história...
Uma das nações mais pobres do globo, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), o Butão também figura entre as dez mais felizes, segundo pesquisa da University of Leicester, no Reino Unido. O país tem fome zero, analfabetismo zero, índices de violência insignificantes e nenhum mendigo nas ruas. Não há registro de corrupção administrativa e o povo adora o rei, Jigme Khesar Namgyal Wangchuck, o quinto em cem anos de monarquia (1907-2007).
Felicidade é levada a sério no país - único do mundo a ter Gross National Happiness (Felicidade Interna Bruta, na tradução para o português) como política pública. Ao Estado cabe prover as condições necessárias para que a população possa se concentrar na busca da felicidade, por meio dos ensinamentos do budismo.
O conceito de Gross National Happiness tem quatro pilares - preservação das tradições butanesas e do meio-ambiente, crescimento econômico e bom governo. Instituída pelo quarto rei, Jigme Singye Wangchuk, em 1972, a política foi criada para se contrapor à idéia de que PIB (Produto Interno Bruto) - que é baseado em valores materiais - mede a qualidade de vida da população. O salário mínimo no Butão é cerca de US$ 100 mensais.
O pequeno reino de 38,4 mil quilômetros quadrados é menor do que o Estado do Rio de Janeiro. Tem 72,5% de sua área coberta por florestas, 34 rios e uma biodiversidade de dar inveja a muitos países ricos. Também abriga cerca de 2000 templos e monastérios budistas, um deles - Kichu Lakhang -construído em 659 d.C, em Paro.
Em cada distrito - são 20 no total -, tem um "Dzong" - antigos fortes hoje usados como sede administrativa. Assim como os "Chortens" - pequenos templos construídos para abrigar imagens de Buda e relíquias religiosas, os Dzongs são símbolos da identidade e cultura butanesas.
Estilo butanês
Os butaneses são simples, hospitaleiros e muito gentis. Não apresentam os sinais de estresse, pressa e impaciência tão comuns nas culturas ocidentais. A qualquer pergunta do tipo: "posso fazer isso?", eles respondem invariavelmente o mesmo: "se isso te faz feliz, sim".
No país antitabagista, pés de maconha crescem livremente. Por tradição, os camponeses usam a planta para alimentar porcos. Por causa do turismo e da televisão, butaneses que moram em centros urbanos, como Thimphu e Paro, já conhecem o uso da erva para fins de entretenimento, mas a prática não é comum. Os butaneses confiam no que diz o rei, que baniu o fumo do país em 2005, proibindo a venda de tabaco. Foi a primeira nação do mundo a adotar a medida. De qualquer forma, quem consegue obter cigarros - por intermédio dos turistas ou da venda clandestina - pode fumar. Não tem punição para quem fuma, só para quem vende tabaco. Estabelecimentos que vendem cigarro clandestinamente correm o risco de ter a licença cassada.

A arquitetura é uma das maiores atrações do Butão. Os prédios e casas têm estrutura de madeira e taipa (barro amassado). As estacas são esculpidas e encaixadas umas nas outras sem a ajuda de pregos. O acabamento dos telhados é feito e pintado a mão. Em muitas construções, desenhos de pênis enfeitam as paredes caiadas (pintadas com pó branco, extraídos do arroz), em homenagem ao guru Drukpa Kuenley, deus da fertilidade.
Casas são geralmente construídas sem projeto arquitetônico, mas os butaneses fazem consultas astrológicas antes de erguer suas residências, algumas com cerca de 900 anos. Os dzongs têm formato ligeiramente piramidal - largos na base e mais estreitos no topo.
Algumas pinturas dos prédios são verdadeiras obras de arte, com dragões e desenhos de flores, bolas, portais e rodas da sorte (um dos símbolos do Butão) - todos coloridos. A casa butanesa típica é grande. Tem quatro andares que abrigam animais (térreo), diferentes gerações da família - avós no primeiro, pais e filhos no segundo - e suprimentos de inverno.
Tradição
O pequeno reino do Himalaia é também conhecido como "Land of Thunder Dragon". Por isso, o Butão ostenta um dragão branco em sua bandeira laranja e amarela. O dragão é um símbolo nacional, tanto quanto o a papoula azul e os ciprestes, tão comuns no país. Em vez de futebol, vôlei, tênis ou basquete, o esporte nacional do Butão é o arco e flecha.
Butaneses acreditam que mente, fala e corpo têm de estar em harmonia. Eles cultuam o budismo Mahayana, que tem garantia Constitucional no país. Essa é a herança espiritual que o povo deve passar para as próximas gerações, pregando a paz, a compaixão e a não-violência.
A população tem estatura mediana (entre 1,60 m e 1,75 m) e mantém boa forma física. Além de andar bastante por falta de transporte público, os butaneses se alimentam basicamente de arroz montanhês, batata e pimenta.
A população é adepta à poligamia, e isso vale para homens e mulheres. Alguns butaneses se casam com várias pessoas de uma mesma família. O quarto rei, Jigme Singye Wangchuk, por exemplo, é casado com quatro irmãs.
A sociedade tradicional butanesa é matriarcal. É hábito local o homem se mudar para a casa da mulher, após o casamento. Herança também costuma ser totalmente transferida às filhas, na maioria das regiões do Butão. Essas tradições têm se dissipado em virtude da influência de indianos, nepaleses e outros estrangeiros que se casam e vão morar no país. No Sul, por exemplo, onde há mais hindus, as mulheres se mudam para as casas dos maridos.
O culto às tradições butanesas é uma política de governo e uma questão de sobrevivência. Localizado entre dois países de culturas muito fortes - China e Índia -, o Butão está suscetível a influências. Tem de preservar seus hábitos e costumes para não perder a identidade. Além disso, o país não tem seguridade social e depende dos jovens para manter seus idosos vivendo com dignidade. É tradição no país que os mais novos morem na mesma casa dos pais e sustentem os mais velhos.

O artesanato e o vestuário também têm tradição milenar. Peças de prata e cobre, tecidos criados no tear, bordados feitos a mão, dragões e Budas esculpidos em madeira, pinturas e desenhos de fundo religioso enfeitam todas as casas e estão em todas as lojas de suvenires do país. Butaneses misturam cores fortes e sóbrias, com um resultado sempre vibrante.
Ao ver as roupas de um butanês, tem-se a sensação de viagem no tempo. Os homens usam "gho" - espécie de vestido longo preso na cintura por uma faixa. Dentro do vestido, os homens usam camisa com gola e longos punhos brancos. Os sapatos são sociais - pretos e feitos de couro. Nos dias frios, meias de lã preta esticadas até os joelhos aquecem as pernas dos butaneses. As mulheres vestem "kira" - uma peça de pano longa e colorida, sustentada por presilhas na altura dos seios, num modelo tomara-que-caia. Os ombros são cobertos por blusas de seda de mangas longas e cores vibrantes.