quinta-feira, 24 de março de 2016

Isfahan, a pérola do mundo



Isfahan é conhecida como a "Pérola do Mundo", não sem razão, e a Praça Imã é considerada uma das mais bonitas do mundo. A cidade, com a sua praça, as mesquitas, a orla do rio e suas pontes, os seus palácios, o seu povo etc., já vale por si só uma viagem ao Irã. Cortada pelo Rio Zayandeh, a cidade é famosa pelas suas lindas pontes e a orla, repleta de passeios e jardins.


Isfahan, a cidade mais visitada do Irã. Existe algo muito especial nas mesquitas persas. Uma delas tem mais de 800 anos e foi aos poucos misturando vários estilos, à medida que os séculos, os reis e os artistas iam passando.
Isfahan é famosa também porque foi na cidade que um monarca decidiu que o Irã passaria a ser um país xiita e não sunita como era, e como é a maioria dos países mulçumanos.




Hoje, a vida está complicada em Isfahan. O longo embargo econômico, os oito anos de guerra com o Iraque e a má imagem do país no exterior fazem com que a cidade sofra. Menos dinheiro, menos comércio, menos turista. As caras severas dos ayatollahs , os rostos dos mártires da guerra contra o Iraque, são imagens gastas, cansadas, de um regime que não entusiasma mais tanto as pessoas.

Já são 35 anos que o Irã combina religião com política e muitos questionam o sucesso dessa parceria. O questionamento é feito em voz baixa. O regime tem um enorme contingente de seguranças para impor sua vontade. Resta ao iraniano, ainda mais em Isfahan, a possibilidade de viajar no tempo, no espaço, sonhar com dias melhores.

A praça de Naqsh-e Jahan é a segunda maior praça do mundo. Em termos de tamanho só perde para a de Tianamen, a Praça da Paz Celestial, em Pequim. Já em termos de beleza e harmonia dá de 10 a 0. Ela não só é espetacular em termos arquitetônicos, mas é um perfeito espaço de convivência para os iranianos e para os turistas.






O tamanho se deve em parte porque nela se jogava pólo. Os postes dos gols ainda existem, mas cavalos só nas charretes que levam casais e famílias para uma volta. Rapazes batem bola sem talento, moças passeios conversando sem parar. Para alguns, a magia do lugar já os uniu e querem para sempre a lembrança desse momento tão especial.


A mesquita Sheikh Lutfollah foi construída para atender a família real e sua corte. Apesar do seu tamanho pequeno, o trabalho decorativo interno é surpreendente, com milhares de azulejos formando mosaicos de flores, figuras geométricas e frases do Alcorão.  Além disso, seu incrível domo é constituído por azulejos em um estilo arabesco característicos, que vão de formas circulares menores a maiores, dando uma perspectiva interessantíssima ao lugar. Tudo isso, construído em meados do ano de 1600.
 






A mesquita do Xá, que passou a se chamar mesquita do Iman depois que o título "Xá" deixou de significar algo para o país após a revolução de 1979, é de uma grandeza sublime. Seu tamanho é proporcional à multidão de fiéis aguardada para a reza, entretanto a decoração é de uma delicadeza tão grande, que torna a massiva construção em um conto de fadas. 

 






A praça ainda conta com o Palácio Ali Qapu, que apesar de não aparentar, é um prédio de 7 andares com 48 metros de altura, um arranha-céu para a época, que ficou devidamente enquadrado na praça pela proporcional arquitetura.




 
Para completar os atrativos da praça, há ainda o Grande Bazar de Isfahan, que à propósito, tem o melhor preço em comparação com os outros bazares do Irã. O artesanato é riquíssimo e possui as tradicionais peças de Isfahan em metal e porcelana, retratando o design do domo da mesquita Sheikh Lutfollah.
 
Além das incríveis construções ao redor da praça, ela tem um atrativo intrínseco, que só dá para notar estando lá. A energia que ela emana é algo interessante. É uma praça viva, cheia de pessoas que a usufruem diariamente como parte de suas vidas, que se juntam no final da tarde para fazer pic nics, para comprar no bazar, para rezar na mesquita ou simplesmente, para apreciar a paisagem e ver o footing. 
 
As pontes de Isfahan também são um atrativo à parte. Jovens iranianos passam o fim de tarde e noite perambulando pelas pontes e cantarolando músicas típicas ou recitando versos do poeta Rafez. Ficam lindamente iluminadas à noite, com seu reflexo projetado no rio. Uma cena clássica para ser vista apenas no inverno, pois durante o verão o curso do rio é desviado para garantir a subsistência da província de Isfahan, permitindo a produção de frutas e vegetais mesmo no calor cruel de mais de 40 graus.



Mais uma vez, Ronald fez sucesso. Não são poucas as pessoas que pedem para tirar fotos com ele, o que ele pacientemente atende. 
 
 

Ainda fomos visitar o palácio Chehel Sotun, de 1647. Ele era usado para recepções oficiais.





Curiosamente, Isfahan conta com um bairro católico em meio à uma população esmagadora muçulmana. O bairro é formado por Armênios que migraram para a região há 4 séculos à convite do imperador Abbas, que vislumbrava um país cheio de artistas, característica notável dos armênios. Sua igreja possui afrescos maravilhosos, coloridos e ricos!




Também experimentamos o sorvete Safran no Abasy Hotel. Este sorvete é uma especialidade do Iran.
A comida é saborosa, usam muitos temperos, e yogurte é muito usado.

Como em todos os dias, o trânsito esteve infernal. Iran tem 80 milhões de habitantes, e neste período de ano novo 54 milhões estão vijando. Uma loucura! 

Depois do bairro armênio, da visita à catedral e ao museu, fomos ver o Jame Mosque, o segundo maior do Iran. Realmente imensa. 





Também visitamos um minarete cujas torres balançam de tempos em tempos. E não é que balançam mesmo? História muito esquisita esta... Eu penso que há um sistema interno que é acionado para as torres balançarem. Fato é que é uma grande atração turística!

Para terminar nossa estadia no Iran, passamos pelo bazaar, que é o maior do Iran. Longos corredores, uma lojinha ao lado da outra, vendem de tudo! Um verdadeiro mercado persa.caminhamos mais de 2 km num único corredor. 




Na próxima madrugada iniciaremos nosso retorno ao Brasil. Sem dúvida nenhuma, esta foi uma viagem de grandes surpresas. Surpesa em encontrar um país tão desenvolvido, com grandes metrópoles, e que do limão souberam fazer uma limonada. O embargo econômico serviu para buscarem alternativas, se tornarem autosuficientes, construírem fábricas, produzirem in loco o que é necessário. Se não fossem as restrições religiosas, estariam muito mais à frente. 
Não sentimos medo no Iran. A polícia anda desarmada. Há sim, roubos e furtos, mas a violência está controlada. As leis são severas e são cumpridas. A população respeita os limites. 
O povo é muito simpático. Diariamente fomos abordados, nos perguntavam de onde viemos, se estamos gostando do Iran, e abrem um largo sorriso, agradecem quando confirmamos!
É inimaginável um país, cercado por outros países em guerra, em conflito, com o EI à toda, e o Iran um oásis de paz e tranquilidade. Impressionante como estávamos mal informados. E como a desinformação gera preconceitos!
Esta viagem foi um grande aprendizado, e agradecemos por cada dia vivido aqui. 
 

 


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