quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Uma corrida de obstáculos com um final feliz...

8 de setembro
Corrida de obstáculos com final feliz
Quando acordamos hoje de manhã nada indicava que teríamos um dia cheio de obstáculos pela frente. Depois de um mais do que tranquilo café da manhã voltamos ao quarto e arrumamos, vagarosamente, nossas coisas. Afinal, era somente às 12 horas que teríamos que estar no saguão à espera do nosso guia, uma vez que a viagem para Butão estava marcada para às 15 horas.
De repente, toca o telefone. O guia na linha. Pede para descermos imediatamente, pois o avião partiria às 13 horas. Foi um corre corre danado. Fecha as malas, pega os documentos, desce de elevador, tudo correndo. Pagamos a conta do hotel voando. Fomos para o carro voando. Colocamos nossas bagagens no bagageiro voando. O motorista sai voando, mas logo logo teve que reduzir a marcha pois, afinal, estávamos em Kathmandu e o congestionamento é durante o dia inteiro. Suávamos às bicas. Será que ia dar tempo. O  guia nos informou que as viagens para Buitão eram assim. Ora o avião saía adiantado, ora atrasado, e aí era um deus que nos acuda. O nosso motorista fez o que pode. Ultrapassou á direita, ultrapassou à esquerda, andou na faixa ao contrário, quase atropelou um transeunte, tudo para nos levar no tempo menor possível para o aeroporto. Conseguimos chegar ao aeroporto em 15 minutos. Não sei como isto foi possível...
Apresentamos nossos documentos logo na entrada. Detalhe: os funcionários nepaleses não tem nenhuma pressa. O tempo lá é outro... Passamos pelo segundo controle, colocamos nossas malas na esteira, depois nossas mochilas em outra esteira. Na segunda esteira, as mulheres tinham que ir para um lado, os homens para outro. Andamos mais um pouco, mais um controle. Agora manual. Aqui também, mulheres para um lado, homens para o outro. Tiraram tudo da mochila. Perguntaram ‘n’ vezes se tinha objetos cortantes, bebidas, drogas, etc. controle corporal: apalpação geral. Carimbo no nosso boarding pass, a esta altura já tínhamos três carimbos ... Continuamos andando, aí veio o controle do boarding pass. Depois, tentar descobrir em qual ‘gate’ ficaríamos, uma vez que isto não constava do boarding pass. Chegamos na hora, mas nada de embarque. Sentamos. Perguntamos uma funcionária quando partiria o vôo, ela não soube dizer. Depois de 15 minutos, perguntamos de novo. Necas pitiriba. Ela chamou outro funcionário. Este respondeu que talvez partíssemos em 5 minutos. Talvez 5 minutos longos, talvez 5 minutos curtos. O negócio era acalmar, afinal já tínhamos toda a documentação devidamente carimbada nas mãos, já havíamos preenchido os formulários necessários, agora era só esperar...
Mais uns 10 minutinhos, e embarcamos. Que alívio. A viagem era de 1 hora. Tranquilo. Prá quem tinha viajado 28 horas de SP para Doha, não chegava nem a ser um aperitivo. Nem nos incomodamos com o espaço apertadinho, apertadinho. Decolamos. Sobrevoamos Kathmandu, e depois seguimos rumo às montanhas.


Sobrevoamos as montanhas, mas com exceção de uma montanha enorme, cujo pico aparecia entre as nuvens, não víamos nada. De repente, o avião abaixa, e começamos a voar num desfiladeiro. Que emoção! Nunca tinha voado assim, entre montanhas. A paisagem linda!





Muitas montanhas, desfiladeiros, rios lá embaixo, araucárias, ciprestes ao longo das montanhas. Me sentia num filme. As nuvens, acima de nós negras, pesadas, como que quisessem se desfazer deste seu peso. Já avistava a pista de pouso quando avistei uma nuvem enorme, negra, despejando a chuva sobre Paro. De repente, nuvens por todos os lados. O avião embica para cima, e começa novamente a voar sobre as nuvens. O comandante nos avisa que é impossível pousar, que teremos que aguardar o final da tempestade. Sobrevoamos as nuvens em círculo, por algum tempo. Depois, o avião toma curso, e eu pensei que iríamos retornar a Paro e pousar. Voamos por um bom tempo, estranho tempo que levamos para pousar, e de repente a parede de nuvens desanuvia, aparecem campos, e nadica de nada de montanhas.

 Acho estranho, mas estou tão feliz de não estar mais envolta por nuvens que não penso mais nada. Sobrevoamos campos, aparecem edifícios (edifícios?!?) , avisto uma pista e pousamos. Pousamos num lugar chamado  Bajdogra.  Ué, pelo que eu tinha lido na internet, Bhutan tem somente um aeroporto em Paro. E agora pousamos em outro??????????? Ronald olha no mapa... estamos na ÍNDIA. Ìndia????????????????? O comandante nos informa que, devido às más condições meteorológicas pousamos na Índia. Assim que o tempo melhorar, retornaremos a Bhutan. Então tá....
Ficamos por mto tempo no avião. As aeromoças se esmeraram em nos atender. Serviram mais um lanchinho, mais suco, ofereceram snacks. É um vai e vem de pessoas da terra que vem para o avião, o comandante que vai para o prédio do aeroporto e nós, pacientemente, esperamos.
Enfim, novo start. Ufa! O comandante nos avisa que em 20 minutos estaremos em Paro. Decolamos novamente, entramos novamente no desfiladeiro e eis que aparece, à nossa frente, a tão esperada pista do aeroporto. Livre, livre, sem nuvens, sem chuva. Pousamos, desembarcamos e ficamos deslumbrados com a beleza, a limpeza e a rapidez no atendimento dos funcionários do aeroporto de Paro. Zás trás, e já estávamos do lado de fora. Quem não estava com cara de bons amigos era nosso guia. Afinal, ele teve que nos aguardar por nada mais nada menos que quatro horas e quarenta. Uma viagem que devia levar uma hora levou quatro horas e quarenta minutos.





                                                                  O aeroporto de Paro

Uma van novinha nos aguardava. Embarcamos. O guia nos informa que ficaremos no hotel Uma em Paro. Como assim? Nós não iríamos para Timphu, ficar no hotel Taj Tashi? O guia nos olha espantado. Paramos na beira da estrada, Ronald pega sua documentação. De fato, deveríamos ir para Thimphu. Mas o guia afirma que ficaremos em Paro. Aí começa um telefonar frenético do guia para a sua agência. Nós, pacientemente, esperamos. Depois de um lá para cá o guia, todo constrangido, vem falar conosco e diz que realmente ficaremos em Paro. Tudo bem, tudo ok? Prá que se aborrecer? Afinal, estamos no país das pessoas mais felizes do mundo... O guia, visivelmente aliviado, nos leva até o hotel UMA.




Verdadeiramente um paraíso! Um hotel em cima de uma montanha, rodeado de verde, com dependências de uma elegância simples maravilhosa. Nada de ostentação! Tudo muito limpo e muito lindo. Nos oferecem um chá de boas vindas (Ah! Esqueci de falar que a cidade de Bajdogra é a terra do chá Darjeeiling), o atendimento é perfeito. Nos levam até o quarto, também de uma elegância simples linda. Ronald e eu resolvemos dar uma volta pela parte de fora. Foi um momento mágico. Já estava escuro, andamos entre as altas araucárias e ciprestes com uma lua crescente nos espiando entre os galhos. Mais romântico impossível.  Depois, olhamos as dependências internas. Uma sauna maravilhosa, uma piscina quente ímpar, um restaurante que é uma graça... o que queremos mais?




Hoje aprendi uma nova lição de vida: Buthan é um dos países mais pobres do mundo. Mesmo assim, é de uma beleza ímpar. Todas as casas pelas quais passamos, mesmo as mais simples, são belas, limpas, bem cuidadas. Portanto, ser pobre não significa que é preciso ser sujo, desleixado. É possível ser pobre e ser limpo. Os butaneses tem uma postura ereta, tem orgulho do seu país. Todos os homens vestem um tipo de uma túnica. Todos são muito simpáticos e gentis. Tenho a impressão que vamos ter uma excelente estadia neste país tão diferente do que vimos até agora.


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um choque de realidade...

7 de setembro
Um choque de realidade...
Após uma noite revigorante e um laudo café, o guia nos buscou no horário marcado e nossa primeira visita foi próxima do hotel, ao Boudhanath.

Este é um dos locais budistas mais sagrados em Kathmandu. Desde 1979, é um patrimônio mundial da UNESCO, e um dos mais populares pontos turísticas na área da cidade. Há, em torno do Boudhanath, uma porção de lojinhas de artesanato,

assim como vendedores de cal (eles vendem uma bacia de cal, vc leva prá abençoar na roda de reza (são uns cilindros que vc toca e gira, alguns grandes, outros pequenos), e depois vc devolve o cal.

Este cal (dizem eles) é usado para anualmente caiar o Boudhanah, que sempre tem que estar caiado e limpo. O sentido de limpeza, entretanto, é bem diferente do nosso. Quanta sujeira! Qto lixo espalhado. Eu pensei que já havia visto tudo o que é possível em termos de sujeira, mas sem dúvida nenhuma, Kathmandu é a cidade mais suja que já vi na vida. Aqui, a sujeira e a pobreza são um estilo de vida. Isto porque os hindus acreditam que, se vieram ao mundo do jeito que vieram, é para manter a situação como está, pois do contrário Budha os teria enviado de outro jeito. Isto explica, certamente, um pouco da letargia reinante, que talvez também possa ser provocada pela marijuana (que é consumida livremente, mas não pode ser comercializada) e as piras de incenso, que continuamente exalam um cheiro que deixa a gente até meio zonza. Entramos em dois templos budistas, um antigo e um novo, mas confesso que não vi diferença entre os dois, pois ambos estão mal conservados e sujos. Há muitas pessoas que rezam, que tocam as rodas, os sinos, os totens com deuses hindus.  



A esta altura do campeonato, já estávamos ensopados. Não é que estava particularmente quente, mas extremamente úmido. A poluição do ar é um problema sério em Kathmandu. Além da degradação humana óbvia produzida pela indústria, pelo trânsito absurdo (é uma tremenda confusão, businas por todo lado – no final do dia tinha vontade de esganar quem buzinasse – carros prá tudo que é lado, mas supreendentemente, uns deixam passar os outros, e há poucos acidentes) e congestionamento extenso na cidade há também a queima nos templos e cremações públicas.
Em seguida, fomos para Pashupati – o templo do senhor dos animais
Este santuário é dedicado a Shiva. O templo é tão importante para os devotos a ponto de se referirem a Kathmandu como ‘a terra do templo de Pashupati’.Ele fica às margens do rio Bhagmati.
Há um conjunto de pequenos templos, estátuas e imagens de deuses hindus. Existem também numerosos santuários, ao ar livre, espalhados por todo lugar, erigidos em diversas épocas, por personagens importantes do reino.





Os degraus (ghats) que levam às águas do rio são usados para banhos rituais e de purificação. Há plataformas de pedra, onde se fazem as cremações dos corpos e de onde, no mesmo rio em que se banham, são lançadas suas cinzas.

Vimos a cremação de vários corpos. Esta foi uma vivência altamente impactante.

 Ver o corpo todo enrolado com tecidos coloridos colares e oferendas, em cima de vários pedaços de madeira, cobertos por um tipo de cizal. Há uma pessoa que comanda a cerimônia toda, e a cremação dura cerca de três horas. As pessoas ficam assistindo à queima do corpo,  e vimos uma mulher chorando dramaticamente a morta que estava sendo queimada. Toda a área é coberta por uma fumaça que vem destas queimas, e confesso que, durante algum tempo, senti o gosto da fumaça na boca (com a sensação de que estava sentindo o gosto de carne queimada – grrrr). O cheiro da fumaça impregna na roupa, tanto que lavei toda ela quando retornei ao hotel. As pessoas em luto usam panos brancos, e durante um ano usam roupas brancas. Fiquei impressionada com o fato de que jogam tudo na água. Quantas cinzas de corpos queimados estas águas já não receberam no decorrer dos séculos?????????? E as pessoas se banham nesta água. Realmente, uma cultura muito diferente, difícil de entender.

No local podem ser vistos sadhus, homens que dizem que são santos, que vêm de diversos locais do país e ficam sentados em diversos lugares do templo, à espera de donativos dos milhares de devotos que por ali transitam. Confesso que fica difícil entender que são santos, porque te abordam constantemente querendo tirar fotos com vc em troca de dinheiro (que já é previamente estipulado: 100 rupias). Não tive nenhuma vontade de tirar fotos com eles.
Há, também, uma profusão de macacos.

No meio desse amontoado de seres reais e fantásticos, ergue-se o Templo do Senhor dos Animais, local de peregrinação para hindus, desde todo o Nepal até o sul da Índia.

Visitar este local é um grande desafio, pois entramos em contato com duas faces do existir: a beleza e a sujeira. Elas se encontram na nossa frente e nos ensinam a fazer uma reflexão sobre nossos valores e a maneira com a qual olhamos o mundo. E nos faz perceber que a escolha do que ‘ver’ é nossa.
Seguimos para Bhaktapur pela única estrada de asfalto que existe no Nepal (construída pelos japoneses), e que leva para esta cidade. Esta cidade fica no Vale do Nepal, rodeada por montanhas (não deu prá ver muita coisa, pois o dia estava nublado e úmido) Foi fundada em 865. Durante 200 anos foi assentamento importante no vale. Existe uma república somente há três anos. O rei, surpreendentemente, abdicou e entregou o governo. Há 601 representantes no parlamento. O presidente pertence ao partido comunista.  Andamos por inúmeras ruelas. No percurso choveu, parou de novo, voltou a chover... até chegarmos ao Templo do Sol, um grande complexo de templos.







Já no meio da tarde voltamos a Kathmandu. Fomos ao centro.
Visitamos as imediações do velho palácio em Durbar Square foi construído em 1700 e tem belas esculturas de madeira e uma porta de entrada finamente trabalhada em dourado. Não dá prá afirmar, entretanto, que está sendo bem conservado, como tudo que vimos até agora. Vimos incontáveis templos, palácios, mas tudo parece estar caindo aos pedaços. Se realmente uma boa parte da economia provém do turismo, o governo deveria ter mais cuidado com os bens históricos do país.




Passamos por ruas e ruelas de comércio, com um profusão de gente, incontáveis lojinhas que oferecem de tudo, ambulantes persistentes que tentam vender objetos a qq custo – chega a cansar de tanta abordagem. Esta abordagem insistente faz vc perder toda e qq vontade de adquirir alguma pachmina, ou objeto de lembrança do Nepal.
Foi um dia extremamente intenso e exaustivo. Foi um choque de realidade. Kathmandu deixou de ter, para mim, aquele fleur romântico de cidade zen, onde as mulheres vestidas de sari flanam pelas avenidas (que praticamente inexistem) acompanhados de seus maridos vestidos de túnicas.
O que a gente viu foi o contraste entre beleza e sujeira, foram rostos cansados da lida de todo dia, da falta de dinheiro, da falta de emprego, da falta de perspectiva. Penso que muitas pessoas refugiam-se no hinduísmo e budismo para poder abstrair, para fugir da dura realidade, pois é só com muita fé, e esta sem dúvida as pessoas tem, é possível suportar uma vida com tantas carências.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

6 de setembro
Choque entre a ultramoderna e estéril Doha e Kathmandu, que do alto parece ter saído de um bombardeio...
Hoje saímos cedo e fomos ao aeroporto. O check in foi super tranquilo, até conseguimos novamente sentar na primeira fileira do avião – só que o avião era um A320, apertadinho, apertadinho – meus pés ficaram em brasa depois de sentar durante quatro horas com eles em posição de bailarina, ou melhor, dez para as duas. Caramba, que avião apertado...

O fuso horário para o Nepal são três horas e meia. Assim, praticamente viajamos o dia inteiro, porque chegamos a Kathmandu às 17:40. Quando sobrevoamos Kathmandu, tive a impressão de ver um lugar que foi bombardeado.

 As casas e pequenos edifícios todos parecem semi-prontos, com puxadinhos para tudo que é lado... quando desembarcamos, vimos um prédio de tijolinho aparente (parecia uma escola), mas era realmente um aeroporto. Mal cuidado, com portas e janelas caindo aos pedaços, grama para cortar. Até que foi rápido fazer o visto. Já no avião haviam nos dado os formulários, prendemos as respectivas fotos 3x4 e assinamos os documentos. No controle de passaporte, passamos primeiro pelo guichê que controlou nossos dados, depois fomos a um segundo guichê onde pagamos U$ 25,00, e num terceiro guichê foi colocado o carimbo no passaporte. Tudo manual, mas supreendentemente rápido. Nossas malas demoraram um pouco para chegar, mas nada fora do comum.

Saímos do aeroporto à procura do nosso guia, que estava do outro lado da rua, sem coragem de atravessar por causa da chuva torrencial. Ficamos esperando um pouco, ele se encorajou e atravessou a rua. Chamou o carro (o sistema é inglês), e fomos para a cidade. Gente em profusão (e eu que reclamei de não ter visto quase pessoas em Doha...), carros prá tudo que é lado, rischkas, pessoas andando sob a chuva, buzinaço sem parar... as casas e os prédios caindo aos pedaços, tudo com aparência de um grande mukifo!





Lentamente, quase rastejantes, fomos seguindo em frente, e conversávamos com o nosso guia numa mistura de espanhol, alemão e inglês – de tudo um pouco. De repente, o carro vira à esquerda, perpassa um grande portão e estamos dentro de uma espécie de parque, tudo limpo, tudo lindo – era a alameda até o hotel (Hyatt). Que contraste!!!!!!!!!!!!

O check in demorou um pouco e, finalmente, pudemos ir para o nosso quarto, onde nos instalamos. Foi quando percebi que havia deixado meus brincos de lápis lazuli no banheiro do hotel – em Doha! Caramba! Ronald começou a tentar contato com o hotel, o que foi fácil, mas o problema foi o entendimento com a moça responsável pelos quartos. Acho que Ronald ficou umas duas horas tentando resolver o problema – sem sucesso! Ainda não sabemos se acharam ou se alguém levou meus brincos! Resolvi que não vou me aborrecer com isto, quem manda não dar uma última checada no banheiro...
Quando estávamos arrumando nossas coisas, alguém bateu na porta, eu fui abrir, e apareceu um garçom com um bolo. Fiz cara de espanto, e ele disse: congratulation honeymoon???????????? Tentei explicar a ele que não era para a gente, que devia ter errado de quarto, mas não teve jeito. Colocou o bolo na mesa e saiu. Honeymoon.... então tá....

Jantamos no hotel. Comida indiana. Super condimentada e apimentada, mas uma delícia. Bebemos Himalaya Spring Water, pois vinhos aqui tem preços proibitivos, e resolvemos não beber nada de alcoólico durante toda a viagem – a saúde agradece!
Já são 11 horas da noite, e estou me sentindo confusa com estes fuso horários todos. Acordadérrima, e amanhã vamos bater perna o dia inteiro. Previsão do tempo: encoberto durante o dia , 19 a 25 graus, e no final de tarde chuvas. Se não chover durante o dia, já está de bom tamanho.

Finalmente em Doha - agora um relato pessoal...

5 de setembro
Finalmente em Doha – agora um relato pessoal

Depois de um realmente ótimo café da manhã (apesar de todos os queijos e pastas estarem muito salgados) resolvemos sair a pé, para conhecer a parte mais antiga da cidade, comprar uma pilha para o despertador e ir até o museu islâmico.

Para o nosso espanto total, não existe cidade antiga, histórica. O rei mandou derrubar tudo para dar lugar a novos prédios, e o que sobrou são alguns poucos prédios de dois andares antigos, além de um muro (que também estão derrubando). Eu fico pasma com isso. É contra a maré mundial de preservação histórica. Mas enfim, rei é rei...

Quando botamos o pé na rua levamos um choque. O calor insuportável, escaldante, que literalmente queima os miolos. Como apesar da seca há uma umidade em torno de 50%, o suor escorre por onde pode. Ficamos ensopados rapidamente. A cada passo que vc dá vc tem a impressão de que está sendo cozinhado vivo. Nunca senti tanto calor assim na minha vida. O único calor que chega próximo é o do Vale dos Reis, no Egito.
Enfim, fomos ao museu. É simplesmente belíssimo. Que construção! Que arquitetura! E, confesso, o melhor de tudo foi que há ar condicionado... A esta altura minha cabeça estava latejando, o peito arfando, pensei que ia ter um colapso. Precisei sentar por um tempo, para depois começar a apreciar as obras islâmicas, que realmente são muito bonitas.

Depois do museu, voltamos ao hotel, pq havíamos combinado com um taxista que nos levaria para passear por Doha, por uma hora e meia, por U$$ 45,00. Dito e feito! Bendito ar condicionado no carro. A primeira coisa que fizemos foi comprar água, pq aqui é preciso beber muita muita água. Doha é uma cidade relativamente nova, com prédios imponentes, construções bizarras, avenidas largas, algum verde, muitos ‘compounds’, de todos os níveis. Estão sendo construídos bairros inteiros em cima de terreno aterrado na baía. Construções vistosas, a área das embaixadas é lindíssima, muitos hotéis de primeira categoria, shoppings luxuosos, enfim, é um luxo só. Mas onde mora o povo? Onde acontece a vida? O dia a dia? Vimos poucas pessoas nas ruas, muitos carros luxuosos e gigantescos, mas gente do povo, a não ser no centro da cidade, necas... O taxista nos informou que as pessoas moram fora de Doha, o que confirmamos à tarde.

Chegamos ao hotel, e logo depois saímos com o nosso guia, rumo ao Safari no Deserto. Estradas amplas e muito bem construídas, asfalto fantástico (no Brasil só dá prá sonhar com isto), muitos compounds e agora, sim, construções de até dois andares, onde mora o povo. O nosso guia, de Sri Lanka, muito simpático, nos contou que no verão as pessoas mais simples moram em casas e apartamentos, e no inverno montam suas tendas no deserto, que fica mto próximo de Doha. Um espanto! Realmente posso dizer que hoje fiz um safari radical. Iswam, o nosso guia, é um fantástico motorista, e em momento nenhum senti medo. Mas gente, que dunas são essas? Foi um tal de subir e descer, andar pelas encostas, fazer cavalo de pau, descer por dunas inacreditáveis, o que eu achava inimaginável.








Paramos no Inland See, que é um braço do Golfo Pérsico e, de um lado fica a  Arábia Saudita e, do outro, o Qatar.
Pus os pés na água – super quente – mas não entramos no mar. Continuamos a aventura nas dunas até um ‘Camp’, onde Ronald então entrou na água e eu dei uma volta na praia. Infelizmente uma água viva acabou  fazendo uma queimadura no braço e na barriga do Ronald, o que foi tratado com vinagre. No começo doeu, mas felizmente depois passou.

Ao cair da noite, jantamos no próprio ‘Camp’. Eu, uma incorrigível sonhadora, achei que o jantar seria numa tenda, em cima de uma duna, com lampiões a iluminar, com um céu estrelado e um super jantar. Na realidade, jantamos ao pé de uma duna. Havia tendas sim, a nossa era de número 1 e até ar condicionado tinha. Mas o jantar foi do lado de fora, com muitas lâmpadas de neon e um gerador prá acabar com qq romantismo, rsrsrsrs. Os pratos eram de porcelana, mas os talheres de plástico e não havia guardanapos. A comida foi servida numa tenda caindo aos pedaços e não era lá essas coisas. Mas nada que desmerecesse um belo dia, muito intenso, com muita aventura pelo caminho.



Retornamos a Doha e ficamos no hotel. Afinal, amanhã sairemos super cedo em direção a Kathmandu e precisamos repor nossas energias e o nosso sono.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Doha/Qatar

Doha em árabe الدوحة, ad-Dawḥa ou ad-Doha, literalmente: "a árvore grande" é a maior cidade do Qatar. Localizado no Golfo Pérsico a cidade possuia 998.651 habitantes em 2008. É a maior cidade do Qatar concentrando cerca de 80% da população.
Doha também é a capital do país, que é governado por Sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani. Doha também é sede da Casa da Educação , uma área destinada a edu1cação, além de ter sido escolhida como uma das sede dos Copa do Mundo FIFA de 2022.
História
Em 1825, a cidade de Doha foi fundada sob o nome de Al-Bida. O nome "Doha" veio do árabe ad-dawha ", a árvore grande." A referência é a uma árvore de destaque que devem ter permanecido no local onde a vila de pescadores original surgiu, na costa oriental da península de Qatar. Ou poderia ter sido derivado de "dohat" - árabe para baía ou golfo - referindo-se à área da baía de Doha.
Em 1825, durante a guerra entre Qatar e Bahrain , Doha tinham sido severamente danificado e Abu Dhabi estava ajudando Bahrain. Em 1882, construiu a fortaleza Al Rayyan Al Wajbah, no sudoeste de Doha. No ano seguinte, Sheikh Qassim liderou um exército do Qatar para a vitória contra os otomanos . A cidade foi feita capital da British protetorado do Qatar em 1916. A nação se tornou independente em 1971. Ainda assim, no início do século 20, grande parte da economia do Qatar dependia da pesca e pérolas, e Doha tinha cerca de 350 barcos de pérolas. No entanto, após a introdução das pérolas cultivadas japoneses na década de 1930, toda a região, incluindo a cidade de Doha, sofreu uma grande depressão e Qatar foi mergulhado na pobreza. Isso durou até que no final de 1930, quando o óleo foi descoberto. No entanto, a exploração e exportação foi interrompida devido à segunda guerra mundial. Hoje, a nação como um todo produz mais de 800 mil barris de petróleo por dia. Em 1969 foi aberta a Casa do Governo. Hoje ela é considerada o marco mais importante do Qatar.
Edifícios na época eram casas simples de um ou dois quartos, construídas de pedra, lama e coral. No entanto, o emires do Qatar não demoraram a explorar a riqueza recém-descoberta, e áreas de favelas foram rapidamente derrubadas e substituídas por prédios modernos. Como com outros países na região, nesta corrida para a modernização tanto do patrimônio do país foi perdido, e em Doha agora há apenas uma torre eólica, único remanescente. Doha foi uma porta de alguma importância local. No entanto, aa águas rasas da baía impediam navios maiores de entrar no porto até a década de 1970, quando o seu porto de águas profundas foi concluída. Mais alterações seguiram com recuperação de terras extensas.
Em 1973 foi aberta a Universidade de Qatar e, em 1975, o Museu Nacional do Qatar que foi originalmente o palácio do governante . A Al Jazeera, canal de TV em árabe via satélite começou a transmitir a partir de Doha em 1996. Sheikh Hamad Bin Khalifa Al-Thani atualmente dita as regras no que alguns consideram ser a cidade mais bela do Catar.
Em 2010, Qatar tinha uma população de 1.696.563, tornando-o um dos países de mais rápido desenvolvimento do mundo.
O que nos impressionou é que vão derrubar toda a cidade antiga para dar lugar a construções moderníssimas até a Copa do Mundo.
Acordamos às 8.20, meio sonados. Hoje de manhã, faremos um tour com táxi pela cidade, compraremos água e visitaremos o museu. Hoje à tarde faremos o safari com jantar no deserto.
O calor é escaldante: 42 graus.

domingo, 4 de setembro de 2011

3 e 4 de setembro de 2011
Saímos de casa às 22.40, rumo ao aeroporto. Apesar de trânsito intenso, chegamos bem e, qual não foi nossa surpresa em encontrar um check in lotado de gente. Lotadaço! Uma fila imensa! A maioria orientais. Enquanto eu entrei na fila, Ronald foi verificar se não havia outra fila menor: dito e feito! Havia uma fila para quem fex check in online e, pelo visto, isto ainda não é hábito para a maioria das pessoas. Fizemos, então, o check in de forma relativamente rápida, Ronald ainda tomou um suco no Mac e depois passamos pelo controle de passaportes e fomos ao gate 27. Estavam embarcando as pessoas que iam para os Emirados Árabes, e rapidamente o saguão ficou vazio. Mas isto não demorou mto tempo. Rapidamente ele foi enchendo e as cadeiras ocupadas. Nosso avião chegou pontualmente, mas já comecei a achar que tinha algo de estranho no ar, pois a equipe de bordo chegou, mas não conseguiu embarcar. Fui verificar o que estava acontecendo e vi que o avião estava desconectado ao corredor de terra, e estavam checando freneticamente uma das turbinas. A equipe de bordo foi embora, e eu realmente fiquei preocupada. Era o que faltava, não conseguir embarcar... Estranhamente embarcamos às 2.40 da manhã, portanto horário... vai ver que a equipe de bordo embarcou por outro lugar.   Sentamos nos nossos lugares e pontualmente às 3.10 o avião começou a taxiar. Mas tudo foi muito devagar e, de repente, ele para próximo de um hangar e aí fica parado. O comandante avisa que temos um ‘light problem’ e que em dez minutos partiríamos. Os dez se transformaram em 20,30,40 minutos, e o comandante avisa que vai demorar mais 35 minutos. Os 35 se transformaram em uma hora, e aí ele informa que temos um problema de refrigeração, que vai demorar mais algum tempo. Bom, isto a gente já tinha percebido, pois, apesar de ser noite e não have um calor forte, dava prá perceber o ar condicionado desligado e a percepção de abafamento. Final da história: às 6.30, com o dia já claro, novamente foram ligados os motores, e aí entramos na fila dos aviões que estavam para decolar. Ou seja, ficamos praticamente 3h30 minutos sentados dentro do avião, sem ar condicionado, esperando para decolar.  O alívio, entretanto, foi grande, porque era praticamente impensável  este vôo ser cancelado. Toda nossa programação cairia por terra.  Serviram o ‘breakfast’ ainda em solo, às 5 da matina. Qdo decolamos, rapidamente caímos no sono, afinal não tínhamos dormido nada na noite anterior. O ambiente interno do avião foi mantido às escuras durante todo o tempo, e não podíamos abrir as janelas. Ficamos o dia inteiro na penumbra. Às 10.30 serviram um lanche. Passamos o tempo entre dorminhocar, ver filmes, dorminhocar de novo, escutar música, ir no banheiro. Por falar em banheiro, o que está acontecendo em Guarulhos??????????????? O banheiros simplesmente imundos. E, aliás, o banheiro do avião não estava muito melhor. Este povo não tem noções de higiene? É impressionante!!!!!!!!! Só quero ver o que vem pela frente... Assisti dois filmes, em alemão: Midnight in Paris – uma graça – filme de Woody Allen mto bem construído, e Ein Lied in mir (uma música em mim), também um filme bastante interessante sobre uma garota que foi adotada por um casal de alemães que moravam na Argentina na época da ditadura e que simplesmente ficaram com uma garotinha de três anos cujos pais foram seqüestrados e mortos durante este período.
Até que a bordo está sendo melhor do que imaginado. Como estamos na primeira fileira, temos mais espaço, e entre Ronald e mim há um lugar vazio, o que é ótimo. Conseguimos nos ‘espalhar’ mais, cada um com seu espaço sem atrapalhar o outro. E eu até estou conseguindo fazer alongamento a cada duas horas...
Com este atraso todo, vamos chegar em Doha um pouco antes das três da manhã. Ou seja, completaremos assim quase 28 horas em trânsito. Caramba! Sabia que seria uma viagem longa, mas não precisava ser tanto, rsrsrsrs. Não consigo nem imaginar como será o dia de amanhã, quando faremos um safári pelo deserto com jantar em tenda nas dunas. Se tivermos que levantar cedo, vai ser um sufoco. Mas nada como um dia atrás do outro. Amanhã é outro dia, e veremos como será...
Chegamos em Doha às 2h40 da manhã do dia 5/9. Simplesmente duas noites sem dormir. Mas tudo bem. A passagem pelo controle de passaporte foi rápida, a nossa guia é boliviana, e o hotel (Swiss Bell) parece muito bom. O quarto é imenso...as pessoas são muito simpáticas. Ficamos sabendo que Qatar tem um milhão e oitocentos mil habitantes, dos quais 27% nativos e todo o restante estrangeiros. É o país mais moderno dos países da Arábia - foi o que nos disseram, não sei se é verdade.

sábado, 3 de setembro de 2011

Uma viagem dos sonhos: Nepal, Butão e Tibet

Domingo de madrugada (3.10 da matina - isto é que é ser de ferro...) Ronald e eu iniciaremos uma viagem para o Nepal, Butão e Tibet. Serão somente 16 dias, mas acredito que serão dias muito intensos, e vivenciaremos experiências em uma parte do mundo para nós totalmente desconhecida, a Ásia. Tibet sempre foi um sonho meu acalentado por muitos e muitos anos. Na verdade, queria fazer um trekking no Himalaia. Mas para isto não tenho mais condições físicas e, por isso, permanecerá sempre um sonho inatingível.
Estou com sentimentos que se alternam entre curiosidade e ansiedade. Estou muito curiosa para conhecer o Butão, pois dizem que é o país onde vive a população mais feliz do mundo. Será?!? E o que é a FELICIDADE? Será que é igual para todos? Conto prá vcs depois qual foi a minha impressão. Será que veremos o Dalai Lhama no Tibet?!? Isto seria o máximo, mas provavelmente não acontecerá. Conheceremos alguns mosteiros, inclusive um que fica encrustado na montanha, chamado Tigernest. Será que vou conseguir subir esta montanha a pé? Tá certo que até aumentei meus exercícios aeróbicos para ter mais resistência, mas meu nervo ciático tá reclamão... já vai ser bom demais se não chover e eu conseguir ver o mosteiro a distância.
O período de monções está acabando agaora, pode ser que a gente ainda pegue chuva pelo caminho.
Também estou ansiosa, provavelmente em função do desconhecido, da longa viagem de 15 horas para chegar ao Qatar e depois mais quatro para chegar a Kathmandu. Espero que a gente tenha resistência suficiente prá aguentar um vôo tão longo.
Ronald fez check in online, e conseguimos um lugar na emergência e e outro na fileira 1, onde o espaço para as pernas é um pouco maior.
Estou levando minha câmera fotográfica, mas não estou levando computador. Chega de carregar tanto peso nas costas. Como Ronald está levando o seu laptop, quem sabe consigo escrever neste blog durante a viagem. Acho que vale a pena dar uma espiadinha, de vez em quando,rsrsrsrs.
Este será nosso roteiro de viagem:
05/09: DOHA - Safari no deserto.
06/09: DOHA/KATHMANDU
07/09: KATHMANDU
08/09: KATHMANDU/PARO
09/09: THIMPU
10/09: THIMPU/PUNAKHA
11/09: PUNHAKHA/PARO
12/09: PARO
13/09: PARO/KATHMANDU
14/09: KATHMANDU
15/09: KATHMANDU/LHASA
16/09: LHASA
17/09: LHASA
18/09: LHASA/KATHMANDU/DOHA
19/09: RETORNO A SÃO PAULO